Da série: posts dramáticos sobre educação física
Ou: a explicação racional para as catástrofes naturais
Aula de vôlei.
Estava na reserva. Obviamente era para o bem dos meus colegas e a felicidade geral da nação, como boa pessoa altruísta que eu sou. A professora, entretanto, não tinha essa mesma visão. Sem ter a menor noção do perigo, ela me mandou sacar.
Eu acertei 4 vezes seguidas, pontuando alegremente. Mesmo quando o outro time passou a sacar, foi porque eles conseguiram defender a bola e atacar. Nada de bolas na rede ou isoladas, pelo menos não por mim. Além disso, defendi quando a bola maligna veio pra mim e mais tarde ainda consegui mandá-la para o outro lado alegremente, originando um ponto.
Lindo, mas tremendamente assustador. Porque não sei se vocês sabem, mas eu sou uma catástrofe, em relação a esportes. Não foi talento nato nem porcaria nenhuma, porque eu sou realmente ruim. Anos sendo uma das últimas pessoas a serem escolhidas deixam isso bem claro.
O que aconteceu, na verdade, foi um desequilíbrio da natureza. Já aconteceu antes, vai acontecer de novo.
Mas ninguém sai impune.
Pessoas como eu são verdadeiros desastres em quadra. Se por algum acaso cruel do destino uma delas jogar bem, a catástrofe não terá desaparecido. Ela apenas vai para outro lugar. Vide os supostos desastres naturais.
Aquela explicação picareta envolvendo placas tectônicas e tsunami? Puro picaretismo! Foi aquele dia em que o menininho gordinho e sedentário driblou o time adversário inteirinho e fez um golaço. Três vezes na partida.
As enchentes em São Paulo? Quem liga para as chuvas e os estreitamentos de rios, afinal de contas? Foi aquela menina magricela e de óculos cheios de graus que fez 10 cestas de três pontos em um só jogo de basquete.
Terremotos no Japão? O nome dele era Aristeu e ele nunca tinha visto um skate antes. Foi muito aplaudido, mas se no dia seguinte o colocarem em cima do skate, ele vai só cair e quebrar a perna.
Felizmente, as pessoas ruins costumam cumprir seus deveres. Quando lhes é solicitado, fracassam miseravelmente em educação física e ficam até de recuperação pelo bem de seu país.
Por isso, não olhem tão feio para aquele menino que quebrou o dedo na borda na piscina. Não discriminem aquela pobre garotinha que deixou a bola cair no chão quando o recorde de toques era 54. Todos esses são, na verdade, heróis, corajosos defensores do mundo. Se o Apocalipse ainda não chegou, se um meteoro não se chocou contra a Terra, é porque eles cumprem seus deveres. Salve!
Ah, eu ainda não sei que catástrofe aconteceu depois do jogo de vôlei. Na dúvida, amiguinhos, corram para as montanhas.
4:06 PM
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